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Jovens mudam suas vidas no tatame

26 de novembro de 2015
16h 54

Silêncio! Olho no adversário, segura o quimono do oponente, observa os movimentos e paciência até encontrar o momento certo de aplicar o golpe. Quando você for golpeado e cair, levanta. Assim o professor de judô Antônio Nascimento da Silva, 39 anos, ensina esse esporte marcial para 120 pessoas, entre crianças e adolescentes de Caruara.

Orientações que também valem para a vida. Afinal, todos os praticantes são alunos da Escola Judoca Ricardo Sampaio Cardoso, que devido a problemas de disciplina foram encaminhados ao projeto Judô Formando Cidadão.

As atividades esportivas acontecem de segunda a sexta-feira, das 18h às 21h, no Núcleo da Escola Total (Rua Xavantes s/nº). Criado em setembro de 2013, em parceria entre as secretarias de Educação e a de Esportes, cerca de 300 pessoas já passaram pelo tatame da Área Continental.

Professor e pai

Os alunos Eliseu dos Santos, 18, David Lionda, 18, e Merisson da Silva, 20, em uma palavra definem a importância do judô em suas vidas como “perfeição”, “especial” e “responsabilidade”, respectivamente.

Quando a pergunta é sobre a importância do professor, a resposta é a mesma: “pai”. Como todos tiveram problemas, dentro e fora da escola, relatam as diferentes indisciplinas que cometeram, mas novamente é unanime o reconhecimento de que o docente nunca desistiu de recuperá-los.

“Me envolvi com coisa errada, me sentia um quebra-cabeça e o sensei (professor) me montou. Ele consertou minha vida”, reconhece Eliseu.

David lembra que brigava até com a mãe e que não era necessário motivo para discutir com qualquer um. “Hoje quando eu olho para trás percebo que a maioria das discussões não tinha cabimento, não deu em nada”.

Merisson jogava nas categorias de base do Santos FC e a bagunça fora das quatro linhas o afastou do futebol. Foi no judô que o adolescente se encontrou. “Eu tenho apoio em casa, mas meus pais não me davam ouvidos. O sensei me levou para competir, mostrou meu potencial e eu adquiri responsabilidade, não quero decepcioná-lo”.

Projeto

Os jovens encaminhados pela Escola Judoca Ricardo Sampaio Cardoso não podem faltar à aulas no ensino regular, têm que melhorar as notas, ser disciplinados na sala de aula e não ficar na rua. No caso de quebra do regulamento, ocorre o afastamento do projeto, até a mudança de comportamento.