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Compositores e intérpretes ditam ritmo dos desfiles

3 de fevereiro de 2010
20h 00

“Não, ninguém faz samba só porque prefere Força nenhuma no mundo interfere Sobre o poder da criação”. O trecho da música de João Nogueira e Paulo César Pinheiro, que fizeram história na Portela, retrata de forma mística a inspiração para compor samba. O estilo musical, que no Carnaval é denominado samba-enredo, é um dos principais responsáveis pelo sucesso ou fracasso de uma escola na avenida. E Santos é marcada como celeiro de compositores e intérpretes de qualidade, que se destacam nos desfiles da região e de outras cidades, como São Paulo.

Entre os exemplos estão os irmãos Paulo Roberto Correa da Luz e João Henrique, conhecidos respectivamente como Paulo da Magia e Makumba. Eles concordam com a filosofia da canção Poder da Criação, dos músicos cariocas. “Composição é um momento especial da alma da gente”, destaca Paulo. A dupla fala com o respaldo de quase 40 anos de Carnaval, grande parte de composições e interpretações de sambas-enredos.

“O samba é a maior arma da escola”, confirma Makumba, lembrando do desfile de 1994 da pioneira X-9, que falava sobre os 50 anos da agremiação, o qual teve samba-enredo de autoria do irmão. Apesar da derrota no concurso promovido para escolha da música, ele reconhece a superioridade do ‘adversário’. “Havia problemas, mas o samba segurou a escola na avenida e ela conseguiu o vice-campeonato”.

Há quatro anos eles compõem juntos, somados a outros compositores – Makumbinha, Ademarzinho do Cavaco, Fabinho, Paulinho Chiclete e Toninho 44. Neste ano, emplacaram os sambas da escolas Vila Nova, Bandeirantes do Saboó e Amazonense. “Esse grupo é quase uma família e a gente briga muito tentando encontrar o melhor caminho. Eu me preocupo muito como o samba vai ser cantado na avenida”, explica Paulo da Magia, que também será intérprete da Vila Nova. O sucesso dos irmãos compositores chegou até o Carnaval de São Paulo, em 2005, com a conquista do samba-enredo da Vila Maria - ‘Sonho, realidade no circo da vida’.

AVENIDA É O AUGE
Sambista da nova geração, Fernando Negrão, 30 anos, ouviu sua primeira composição na avenida no ano de 2000, com a Real Mocidade. Desde então não parou mais, conseguindo vencer disputas em diversas escolas do carnaval santista: União Imperial, X-9, Vila Mathias, Unidos da Zona Noroeste, Metropolitana e Vila Nova. Neste ano, três músicas compostas com sua participação serão entoadas na Passarela Dráusio da Cruz e, em uma delas, na Camisa Alvinegra, ele será o intérprete oficial. “A avenida é o auge do sambista, a satisfação pelo trabalho realizado, é igual ao pódio para o atleta”.

Para o músico, atualmente também comentarista de carnaval em um rádio FM da cidade, compor é como um vício, processo de criação que exige mais transpiração do que inspiração. Uma das suas marcas é a criação de refrões fortes, que tem como objetivo buscar a sinergia descrita no trecho final da música de João Nogueira e Paulo Pinheiro: “E um verso vem vindo e vem vindo uma melodia / E o povo começa a cantar”.