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Simpósio de saúde domiciliar aborda cuidados paliativos

8 de novembro de 2018
13h 24

Não é nada simples enxergar a morte como um processo natural a partir de certo momento da vida de um paciente com doença crônica. Mais difícil ainda é o entendimento de que a dignidade do paciente terminal se relaciona aos cuidados paliativos para manter a sua qualidade de vida e não a procedimentos e exames que não o levarão à cura, e ainda promovem sofrimento.

Para trazer esse olhar aos profissionais de saúde das redes pública e privada, o III Simpósio de Atenção Domiciliar da Baixada Santista, realizado nesta quinta-feira (8), o primeiro em Santos, tratou do tema Cuidados Paliativos.

“A escolha do tema se baseou na necessidade do trabalho em pensar nos cuidados paliativos no atendimento ao paciente no decorrer da doença e oferecer mais qualidade na assistência em todos os munícipios da Baixada Santista aqui presentes”, destacou Rubia Lorraine Fernandes Valente, coordenadora de Atenção Domiciliar da Prefeitura.

A ortotanásia segue o preceito de cuidar do paciente com doença crônica de forma humana, por meio de uma equipe multidisciplinar, oferecer uma morte com dignidade, no tempo certo, por meio da prevenção e alívio do sofrimento. Trata-se a dor e outros problemas nos aspectos físico, psicossocial e espiritual. O suporte é estendido ainda aos familiares durante o enfrentamento da doença e o período de luto.

“É um procedimento ético, legal e moral. É um tema relevante para toda a sociedade, que precisa entender que a vida tem começo, meio e fim. Hoje temos muita ansiedade, frustração e melancolia por falta de informação, por depositar expectativas irreais. Omitir uma assistência inútil não é abandono terapêutico. E os profissionais de saúde, independentemente da área de atuação, precisam ter esses conceitos para auxiliar na assistência ao paciente”, afirma a médica Juliana dos Santos Tavares, especialista em Cuidados Paliativos.

NÚMEROS

Por ano, 1,1 milhão brasileiros morrem. Destes, aproximadamente 800 mil são portadores de doenças crônicas, de acordo com dados do Ministério da Saúde. De acordo com o Data SUS, 40 milhões de pessoas necessitam de cuidados paliativos, a maioria com enfermidades cardiorrespiratórias, mas apenas 14% tem acesso a esse tratamento.

O capelão Robson Mendes Pedroso atua no Programa Cuidados Paliativos do Hospital Vitória, é coordenador do atendimento religioso-ecumênico da Santa Casa de Santos, membro da Comissão de Cuidados Paliativos da Instituição e informa que não há uma forma considerada como a mais correta para que pacientes e familiares lidarem com o estado terminal.

“Cada pessoa tem uma forma de trabalhar o sofrimento e a religiosidade é uma das formas. É comum que no momento de uma morte iminente, tanto familiares como pacientes busquem recursos espirituais para enfrentá-lo. Quando conseguem utilizar as ferramentas que a religião oferece, fica mais fácil passar por esse processo. No meu trabalho, valido e fortaleço a fé que cada um possui. E se a pessoa está utilizando a fé de forma negativa, pensando que Deus está castigando, por exemplo, converso para minimizar a dor espiritual utilizando argumentos da própria fé dele”.

Foto: Susan Hortas

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