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Simulado mobiliza e alerta cerca de 400 pessoas sobre vazamento de produto químico em Santos

28 de julho de 2019
11h 20
Homens protegidos com roupas contra queimaduras e botijões de oxigênio nas costas avançam rumo a uma área onde passa um caminhão tanque.#Pracegover

Quatro vítimas maquiadas com ferimentos, fumaça branca em representação à amônia, equipes de resgate e descontaminação paramentadas, remoção de moradores e cadastramento da comunidade. Esses e outros componentes fizeram parte do simulado de acidente neste sábado (27), no bairro Macuco, realizado pela Defesa Civil do Estado e com participação maciça da população.

O objetivo foi aprimorar o trabalho de todos os órgãos quando acionados para uma situação real e informar a comunidade quanto ao risco a que estão expostas por conviverem próximas a três empresas que manejam a amônia.

De acordo com o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Walter Nyakas Junior, a Defesa Civil não atua somente na fase de resposta e sim na preparação dos órgãos de emergência e na comunidade que precisa saber qual é o seu papel.  “Todos somos Defesa Civil. Sabemos da peculiaridade da região; de que há diversas empresas que possuem produtos químicos nas suas localidades e por isso a população e os órgãos de emergência devem estar treinados”.

A simulação começou às 9h na Rua José André do Sacramento, com o cenário montado da colisão de um carro de passeio na traseira de uma carreta, incluindo as vítimas do veículo e o vazamento do produto tóxico. Todo o exercício foi narrado passo a passo em auxílio às equipes, à comunidade que assistia e técnicos envolvidos. 

“Nosso balanço do exercício é muito positivo pela participação das entidades públicas e privadas, além da população. Durante o processo, tivemos avaliadores - pessoas encarregadas de fazer análise de cada tópico, como atendimento ambiental, saúde e evacuação. Depois haverá uma reunião para fazermos os ajustes e aperfeiçoar o nosso trabalho”, comentou o coordenador da Defesa Civil de Santos, Daniel Onias.

ÁREA EVACUADA

Como em uma situação real, os moradores próximos ao local do acidente fictício foram removidos pela Defesa Civil, agrupados e encaminhados até o pátio da escola municipal Auxiliadora da Instrução, onde receberam senhas e foram cadastradas pela equipe da Secretaria de Desenvolvimento Social. O cadastro visa identificar as pessoas, número de moradores nas residências, tipos de necessidades após o acidente, como abrigo, roupas, medicamentos e alimentos.

Moradora do bairro há 30 anos, a cabeleireira Edileuza Souza Santos fez questão de participar do simulado por já ter sofrido as consequências de um vazamento do mesmo produto há cerca de 25 anos. “Na época não sabia se abria ou fechava a porta e até deixei minha cadela do lado de fora da casa porque não imaginava o que estava acontecendo. Fiquei muito mal, fui parar no pronto socorro no dia seguinte e cheguei a ter uma pneumonia alérgica. Se o simulado tivesse acontecido antes, eu não teria ficado tão mal porque saberia o que fazer”.

MAIS INFORMAÇÕES

 

No salão da igreja, ao lado da escola, o especialista no produto tóxico usado no simulado, Sandro Ferreira, ministrou uma palestra para a comunidade. Entre os participantes esteve a professora Alessandra C. dos Santos, que mora no Macuco há 40 anos. Para ela, o evento foi fundamental pela realidade de convivência com a amônia nas empresas próximas. “Essas informações são bem interessantes porque estou descobrindo o que é mito e verdade sobre o produto. Da última vez que ocorreu um vazamento no bairro precisei sair por minha sobrinha ser pequena e hoje tenho meus pais idosos. Então este trabalho de hoje foi muito útil para todos”.

A amônia é um produto químico presente no dia a dia das pessoas mas em pequenas quantidades, sem impactar na saúde de ninguém. É bastante usada na refrigeração, indústria farmacêutica e produção de fertilizantes. Trata-se de um tipo de líquido que se transforma em gás rapidamente ao ser liberado na atmosfera. O cheiro é muito forte e gera desconforto, mesmo em baixas quantidades. Provoca irritação nos olhos e na pele e dificuldade para respirar. Em altas concentrações causa asfixia e dor no peito também.

 

REDE DE SERVIÇOS

 

Na praça em frente à igreja foi montada uma estrutura de serviços da Prefeitura, com orientações gerais e serviços sobre saúde e animais. O destaque ocorreu em uma tenda da Secretaria de Saúde com a simulação de atendimento para morador contaminado pela inalação do gás tóxico. No treinamento, a equipe prestou os primeiros socorros, incluído até remoção fictícia para hospital. Os funcionários distribuíram também panfletos informativos sobre amônia e como proceder em caso de ocorrência.

O EVENTO

 

Participaram cerca de 400 pessoas e 20 veículos oficiais. O bairro Macuco foi escolhido por abrigar três empresas que trabalham com amônia e histórico de pequenos vazamentos. A ação foi programada pela Defesa Civil de Santos e Plano de Ajuda Mútua (PAM) do Porto de Santos (órgão coordenado pela Autoridade Portuária).

 

Fotos: Rogério Bomfim

Galeria de Imagens

Pessoas acompanham na calçada movimentação na rua. Em primeiro plano, socorristas estão atendendo um simulado de acidentados. Ao fundo há ambulâncias. #Pracegover
Comunidade acompanha simulação
Pessoas estão sentadas em salão de igreja atenta a orientações de um homem que está à frente delas dando orientação. #Pracegover
Moradores recebem orientações em salão de igreja

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