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Especialistas abordam resguardo e prevenção de incêndios em museus

24 de outubro de 2018
16h 38

Luminárias instaladas próximo a material que possa se incendiar com facilidade, acúmulo de elementos combustíveis em um mesmo compartimento e falta de manutenção nos sistemas elétrico e hidráulico estão entre os principais fatores que podem gerar um acidente e comprometer – até em definitivo - o acervo de uma instituição museológica.

O alerta é de Eduardo Nocetti Holmes, gerente de segurança do trabalho da Codesp que, na manhã desta quarta (24), abriu a programação Prevenção de incêndio e salvaguarda de acervos museológicos, promovido no Museu de Pesca pelo grupo Orla Cultural Museus. Na sequência, falou a engenheira civil Flávia Togni Trezza, que há 18 anos atua na área de segurança contra incêndios.

Utilizando dois exemplos de grande impacto na sociedade – os incêndios que destruíram o Museu da Língua Portuguesa e o Memorial da América Latina, ambos na capital – para apresentar tópicos que podem servir como aprendizado, Holmes mostrou também sistemas de cooperação que existem em outros países, integrando o Corpo de Bombeiros, equipe dos museus e Defesa Civil.

“Prevenção de sinistros não implica apenas em ter um sistema contra incêndios instalado”, afirmou o gerente de segurança, frisando ser essa uma questão cultural. “Ou seja, é preciso educação, capacitação, treinamento e conscientização, e um envolvimento que não se limita aos brigadistas ou bombeiros civis”.

SEGURANÇA

Para a engenheira civil Flávia Togni Trezza, não existe, no País, uma cultura preventiva. “Investe-se em publicidade, mas não em segurança”, comentou, lembrando que a região da Costa da Mata Atlântica registrou, no ano passado, um total de 1.133 chamados ao Corpo de Bombeiros relativos a incêndio, 257 deles em Santos – na sequência, encontram-se Praia Grande (216), São Vicente (205), Guarujá (152), Itanhaém (128), Peruíbe (120) e Bertioga (55).

Conforme explicou, edificações com até 750 m2 de área construída, até três pavimentos e para, no máximo, 250 pessoas precisam apenas de um projeto técnico simplificado para serem regularizadas.

“Essas construções têm baixo potencial de risco e dispensam apresentação, para análise, de planta de segurança contra incêndio”, afirmou, acrescentando que a regularização é feita por meio de certificado de licença expedido pelo Corpo de Bombeiros. Acima dessas especificações, é preciso apresentar um projeto técnico, documento que, a qualquer momento, pode ser cassado, tendo em vista alteração das condições originais.

Foto: divulgação