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Diversificado, bairro de Santos completa 53 anos de desenvolvimento

Publicado: 14 de maio de 2021
7h 00
Atualizado: 14 de maio de 2021
9h 17

Ao falar do bairro Aparecida, o músico e analista administrativo financeiro Rogério Joaquim Moreira, 48 anos, se transforma em historiador, professor de geografia e agente de turismo, tamanha é sua admiração pelo lugar onde mora há 31 anos. Não é por menos: o bairro, que fica entre os canais 5 e 6 na Zona Leste de Santos, completa 53 anos nesta sexta-feira (14) com muita diversidade em suas características de bairro residencial e comercial, com praia e ares de interior e espaços de cultura, esporte e lazer.

Considerado um dos mais populosos da Cidade, com cerca de 50 mil habitantes, é delimitado por cinco grandes avenidas - Bartolomeu de Gusmão, Almirante Cochrane, Afonso Pena, Joaquim Montenegro e Pedro Lessa. Muitas são as referências locais como a Fonte do Sapo, a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, a Praça de Cães (Praça Caio Ribeiro de Moraes Silva), a FeirArte, o Sesc e o Praiamar Shopping.

Quem ali reside ainda conta com equipamentos na área da saúde como a UPA Zona Leste, a Policlínica Aparecida e o Ambulatório Médico de Especialidades (AME), ligado ao Governo do Estado, além das unidades municipais de educação Lourdes Ortiz e dos Andradas, e as estaduais Escolástica Rosa e Aristóteles Ferreira.

“O bairro cresceu muito e possui uma das estruturas mais modernas da Cidade. Muita coisa mudou, ficou mais valorizado com a instalação de grandes empreendimentos que geraram emprego, mas ainda preserva chalés com moradores antigos. Muita gente vem de outras regiões visitar o bairro, o que contribui para o crescimento da economia local”, diz o morador Moreira.

A criação do bairro ocorreu a partir do Plano Diretor do Município de 1968, explica o historiador da Fundação Arquivo e Memória de Santos (Fams), José Dionísio de Almeida. “De 1867 até início do século 20, a população ainda se concentra no espaço urbano que chamamos de Centro Histórico até o Paquetá. Em seguida, gradativamente vai se formando o Macuco, que se efetiva a partir de 1915. Com o desmembramento desse bairro, cria-se a Aparecida, que leva o nome da igreja existente desde a década de 1930 para a de 1940”.

BAIRRO CONVIDATIVO

Centro comercial, hotel, restaurantes, lanchonetes, bares, drogarias, feiras livres e diversas lojas de bairro, além de opções de lazer como orla da praia, cinemas, atividades educativas e culturais do Sesc, e ainda clubes esportivos como o Brasil Futebol Clube e o Santa Cecília. Tudo isso faz da Aparecida “um bairro convidativo”, considera o morador Moreira, residente na Rua Ricardo Pinto.

“Temos o comércio crescente da Afonso Pena, da Epitácio Pessoa e da Alexandre Martins; uma boa estrutura de saúde; praças para lazer de crianças, jovens, adultos e idosos; arborização e o charme da arquitetura de escolas antigas como Escolástica Rosa e Lourdes Ortiz. Afora a Fonte do Sapo e a orla, que propicia uma linda paisagem dos navios. Adoro parar no quiosque para tomar água de coco”, afirma o munícipe, que destaca também as tradicionais bandas carnavalescas do Jaú e da Ricardo Pinto.

O bairro ainda preserva alguns chalés de madeira em vias como Av. Pedro Lessa e ruas Felipe Camarão, Liberdade e Alfaia Rodrigues. “Esses chalés são referência histórica da arquitetura de Santos. Há teses, trabalhos de conclusão de curso e dissertações de mestrado que tratam desse tema”, destaca o historiador Dionísio.

“Quem vem para cá, se apaixona”

Moradora do bairro há 30 anos, Luciane Araújo Castro, 44, também faz do bairro seu local de trabalho. Há seis anos ela é proprietária da loja Brilho Natural, na Rua Alfaia Rodrigues, 428, voltada à beleza e vestuário feminino. “Desde que meus filhos nasceram queríamos trabalhar com algo próximo de casa, porque é mais prático e não preciso pegar ônibus. Afora que a comunidade é muito receptiva. Fiz muitas amizades ao longo desse tempo”.

Luciane morou por um período no Conjunto Habitacional Castelo Branco (BNH), o primeiro conjunto popular do Brasil criado em 1970 e, assim como o Jaú, ambos são marcas do bairro. “Aqui tem tudo muito próximo. A praça da igreja, que é um passeio completo e gratuito para as crianças; um pronto-socorro que atende bem a gente, além da policlínica; o shopping e a praia. Todo mundo que vem para cá, se apaixona”.

A PRAÇA COMO QUINTAL DE CASA

Da janela de seu apartamento no 4º andar, a jornalista Camilla Costa, 46, contempla a paisagem da Praça Nossa Senhora Aparecida, o lugar que ela considera o mais charmoso do bairro. “Embora eu esteja próxima a uma avenida de grande movimento, a Afonso Pena, morar perto dessa praça, a mais arborizada de Santos, me dá a sensação de cidade de interior, de ambiente tranquilo e acolhedor”.

Além de contemplar a paisagem, a jornalista usufrui do espaço com a filha Isabella, 5, como um verdadeiro quintal de casa. “Brincamos muito na praça. É um momento esperado, ela adora andar de bicicleta ali. Levamos lanche, tomamos sorvete. É muito gostoso para a infância dela esse espaço”, diz Camilla, ressaltando que moradores de outros bairros também frequentam o lugar.

Mas não é só esse encanto, revela: “Outro charme é o sino da igreja, que toca ao meio-dia e às 18h. E os gaviões que moram na praça e ficam no alto da cruz da torre da igreja são uma atração à parte”, conta. Para a moradora desde 2009, o bairro “é uma delícia de morar. Minha vida é muito prática aqui, faço muita coisa a pé. É um bairro residencial e com comércio que facilita muito”.

UMA VIDA NO BAIRRO

A história do diácono José Marques do Amaral Guerra, 66, se confunde com a do bairro. Ele nasceu em um chalé na Av. Pedro Lessa, morou no BNH e hoje reside na Rua Ricardo Pinto. Há 20 anos foi ordenado diácono da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, onde foi batizado, se casou e batizou os três filhos e os dois netos. “Minha vida toda é aqui”.

Testemunha da transformação do bairro, ele recorda a época de trânsito pacato, formado sobretudo por bondes. O ponto final era onde hoje está o Supermercado Central. “O bonde passava em frente à minha casa, na Pedro Lessa. Era terra e vala a céu aberto do lado onde morávamos. Do outro, paralelepípedo e, no meio, a linha de bonde. Sentávamos no fim da tarde na porta de casa”, conta, lembrando que tinha 13 anos quando o nome do bairro mudou para Aparecida.

“A gente ainda consegue se conhecer”

Seu envolvimento na Paróquia Nossa Senhora Aparecida fortalece a ‘raiz’ que tem no bairro. “A paróquia faz parte de nossa família e de nossa formação moral e religiosa. As celebrações já são tradicionais, pois é uma santa bastante venerada na Igreja Católica, por ser a padroeira do Brasil. É um bairro muito bom de morar. Se desenvolveu, mas não perdeu a característica de um bairro simples, apesar dos empreendimentos, e gente ainda consegue se conhecer”.

Fotos: Susan Hortas e Francisco Arrais

 

 

Galeria de Imagens

Vista geral de praça arborizada. #paratodosverem
Praça da Aparecida
Vista geral de conjuntos populares
Conjunto habitacional. Bairro é um dos mais populosos de Santos
Luciane Araújo Castro posa para foto na rua. #paratodosverem
Luiciane Araújo Castro
O diácono José Marques do Amaral Guerra. #paratodosverem
José Marques do Amaral Guerra
a jornalista Camilla Costa, na varanda de casa, com a torre da igreja ao fundo. #paratodosverem
A jornalista Camilla Costa
Rogério Joaquim Moreira. #paratodosverem
O músico e analista administrativo financeiro Rogério Joaquim Moreira