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Secretaria de Esportes oferece aulas especiais para garantir inclusão

16 de maio de 2017
13h 21

Que o amor é capaz de transformar vidas, todos sabemos. Se a este sentimento se juntar uma dose correta de esporte, o efeito é potencializado. A história de Mary Rose de Sá Vieira, 51 anos, e Klaus Igor Silvério Grosser, 34, que começou em São Paulo há mais de três anos, é prova disso.

Foi trabalhando como assistente social que Mary encontrou Igor. Ele tem Síndrome de Down e deficiência intelectual. Na época estava debilitado devido a maus tratos. Além de tirá-lo dessa situação, Mary e o marido, Edelson de Azevedo Vieira, conseguiram a tutela do rapaz. No momento, o casal aguarda a conclusão do processo de adoção.

Do começo da história até agora, muita coisa mudou. Inclusive o endereço da família. Hoje eles vivem em Santos e o Centro Esportivo e Recreativo Rebouças é uma quase uma extensão da casa. No equipamento, Igor faz aulas de hidroginástica e basquete, atividades que têm colaborado para a sua evolução. Também está na fase de observação das aulas de capoeira e já tem demonstrado bastante interesse.

Adoção e mudança

“Não foi um filho que veio do ventre, nós fomos ao encontro dele. Me sinto mãe. Não tem quem me tire isso. Pela minha profissão, já tinha o desejo de adotar. Mas como quase todos, esperava que fosse um pequeno. Foi inesperado, mas está sendo a coisa mais rica do mundo”, explica Mary.

O caminho percorrido até agora não foi simples. Para colocar Igor na sua vida, Mary interrompeu a tese de doutorado. E muitos não entenderam sua decisão. “Já vínhamos sentindo um afastamento dos amigos e até da família. Muitos dizem que desisti da minha vida. Minha tese era sobre família. Digo que se eu tivesse optado por seguir no doutorado, a tese seria mentirosa”.

Para poder ajudar no desenvolvimento de Igor, a família procurou ajuda profissional, mas todos apresentavam um caminho limitado. Inconformada, Mary insistiu na busca em São Paulo, no Rio de Janeiro e até no Nordeste, mas não encontrou o que desejava.

Até que em janeiro do ano passado, em uma das tendas de verão na praia, a situação começou a mudar. “Ele tinha muita dificuldade de socializar, estava sempre separado e apenas observando. Mas o professor Márcio Bernardes, mesmo sem saber de nada, procurou integrá-lo na atividade e ele participou. Ali eu senti algo diferente”, lembra Mary.

Percebendo que Santos e a praia seriam ambientes favoráveis para Igor, em setembro a família mudou e hoje vive na Ponta da Praia. Há pouco mais de dois meses, Mary teve contato com a Seção de Esportes Adaptados (Sespad), da Secretaria de Esportes. Ela conta que pelas experiências anteriores estava receosa. No entanto, na primeira conversa foi convencida de que Igor poderia ser ajudado por meio do esporte.

Quando fala dos professores, a emoção de Mary é grande. “Não tenho palavras pelo que eles estão fazendo. Não achei isso em lugar nenhum. Agora ele participa. Eu digo 'vamos, você consegue', ele olha para mim e vai. Isso é muito gratificante. Sempre acreditei que ele poderia se desenvolver”.

"O Igor chegou como espectador. Parecia assustado com o novo ambiente. É bom ver o desenvolvimento motor e a satisfação dele de estar aqui. A evolução foi muito rápida: tem a obediência às regras, a interação, e desenvolvimento social e motor”, explica o professor de basquete, André Zucolo.

Seção de Esportes Adaptados atende cerca de 350 pessoas

A Secretaria de Esportes atende cerca de 350 pessoas na Sespad. Existem aulas exclusivas de natação, basquete, capoeira, musculação, surfe e hidroginástica. São seis professores trabalhando exclusivamente para as pessoas com deficiência.

“Assim como fazemos com todos, primeiro escutamos a ideia da pessoa responsável e procuramos direcionar”, explica o professor de basquete, Flavio Beloc.

Depois de avaliado, o aluno é direcionado para as atividades. O objetivo é sempre o da inclusão. Quando possível, isso ocorre imediatamente. Basquete, caratê, futsal, natação, musculação, judô, taekwondo, surfe e zumba são modalidades que contam com alunos da Sespad.

As aulas acontecem nos centros esportivos e recreativos Rebouças e da Zona Noroeste, além do Posto 2. Pessoas com qualquer tipo de deficiência podem participar.

Serviço

Contato pelo telefone 3269-8080 ou pelo e-mail sespad@santos.sp.gov.br

Foto: Susan Hortas