PPDC: mais de uma década sem acidentes fatais
Em Santos, cidade que tem como característica chuvas intensas no verão, e relevos que fazem com que os morros ofereçam condições naturais de escorregamentos e quedas de blocos, a Defesa Civil desempenha um papel fundamental para proteger vidas.
Coordenada pela Defesa Civil, por meio do PPDC (Plano Preventivo de Defesa Civil), é feito o acompanhamento e o monitoramento de locais de risco, para antecipar, atuar e minimizar os riscos de acidentes naturais. Iniciado em 1988, na Serra do Mar, o PPDC passou a atuar na prevenção com base em indicativos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas).
Santos iniciou esse trabalho de prevenção no ano seguinte, tornando-se pioneira. Investindo em ações como monitoramento, atenção aos fatores climáticos, fiscalização de obras e participação efetiva de munícipes, a iniciativa passou a reduzir acidentes fatais. O último aconteceu no ano 2000.
A iniciativa é realizada de 1º de dezembro a 30 de abril, com ações antecipadas aos deslizamentos nas encostas dos 17 morros da cidade, a partir do acompanhamento dos índices pluviométricos, da previsão meteorológica e de vistorias de campo.
Os estados de operação (níveis) do PPDC
Os trabalhos do PPDC (Plano Preventivo de Defesa Civil) envolvem uma série de procedimentos preventivos. O acompanhamento do acumulado de chuva é um deles.
Se no período de 72 horas a chuva ultrapassar os 100 mililitros em determinado local, este passa do estado de “observação”, em que tudo segue dentro da normalidade, para o de “atenção”, quando é preciso reforçar equipes, intensificar monitoramentos e vistorias de campo.
O acompanhamento de médias históricas de precipitação, como monitorar o acumulado da chuva, ocorrências de desplacamento de rochas e escorregamentos, aliados às informações de previsão do tempo, também faz parte da rotina das equipes do PPDC.
O “estado de alerta” acontece quando fatores como mau tempo levam a crer que existem chances de escorregamento e queda de bloco rochoso. Nesse momento, com o auxílio da Seas (Secretaria de Assistência Social de Santos) e da Guarda Municipal, podem ser feitas remoções de famílias que podem ir para abrigos ou alojamentos provisórios ou, ainda, receber auxílio aluguel.
As equipes trabalham empenhadas em continuar evitando o estado de “alerta máximo”, mais raro de acontecer – em Santos foi registrado uma única vez na década de 50 –, quando moradores de áreas inteiras precisam de remoção e a cidade necessita do auxílio de outros municípios e das esferas estadual e federal.
Quando ficar atento
A população tem papel fundamental para ajudar a Defesa Civil na prevenção de desastres naturais. Há recomendações diferentes, para “solo” e “rochas”, aos moradores de áreas assistidas pelo PPDC (Plano Preventivo de Defesa Civil).
As pessoas devem ficar atentas às pequenas trincas e rachaduras no solo que, em dias de chuva, podem gerar áreas de escorregamento. O aparecimento de degraus no solo ou rebaixamento do terreno, inclinações de postes, árvores, muros e cercas também são indícios que pode denunciar sinais que determinada área precisa de atenção especial.
Valas com água barrenta, que podem deflagrar o processo para um possível desmoronamento, ou encanamento com defeito na rua, além de muros estufados, solo fofo e oco em pisos, também são sinais.
Moradores podem auxiliar na observação das rochas. Estalos ou aumento de trincas, deslocamento, ou aparecimento de água devem ser avisados à Defesa Civil.
Núcleos de Defesa Civil: grandes aliados da prevenção
Seguindo a política nacional da Defesa Civil, com diretrizes que envolvem voluntários da população para aprenderem ações preventivas e saberem o que fazer diante de uma emergência que envolva desastres naturais, são realizados os Nudecs (Núcleos de Defesa Civil Comunitário)
Este curso, que prioriza os moradores das encostas, tem o objetivo de passar informações para identificar riscos e fazer um treinamento que engloba noções de primeiros socorros e como combater princípios de incêndio. Os participantes têm a possibilidade de estreitar o contato com técnicos da Defesa Civil e ecolaborar com informações, quando houver necessidade. Em 2011, foram capacitadas quase 400 pessoas.
Para participar, os interessados devem ligar para a Defesa Civil pelo telefone 3208-1000 e fazer a inscrição para o curso, que dura três períodos noturnos de quatro horas cada. Pessoas que não moram nas encostas também podem se inscrever, mas é dada prioridade para moradores de áreas de risco.
O que é feito para evitar acidentes naturais
A Defesa Civil realiza o monitoramento constante nas encostas, tanto no solo quanto nas rochas. Para evitar escorregamentos, são realizadas obras de infraestrutura nos bairros, como reparos sistema de drenagem.
As rochas, dependendo da necessidade, podem ser estabilizadas, com um trabalho de fixação, ou são desmontadas e removidas. Muros de contenção também são construídos. Além das obras que frequentemente são realizadas para evitar desastres naturais, moradores das encostas também têm papel fundamental para isso.
Além de observar e informar qualquer anormalidade no solo ou em paredões rochosos, devem manter a conservação do local, não jogando lixo nas encostas, bem como as águas de pia e chuveiro, que podem escoar facilmente por meio das canaletas. Medidas simples como essas fazem com que a água da chuva corra livremente, e que as bocas de lobo não sejam obstruídas. Além disso, a vegetação das encostas precisar ser preservada.
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