No dia 15 de agosto de 1972, a casa em estilo colonial no número 48 da Avenida
Bartolomeu de Gusmão, bem em frente à Praia do Embaré, abria suas portas
para receber crianças que nunca tinham visto o mar. Assim surgia a Casa
da Vovó Anita, cujo serviço de apresentar a praia a meninos e meninas
carentes e excepcionais do interior de todo o Brasil prossegue até hoje,
tornando-se uma marca na Cidade. Quem, ao andar na praia, já não se deparou
com um grupo de crianças eufóricas à beira-mar brincando na água salgada?
Vovó Anita teve 12 filhos e os criou no bangalô onde hoje fica a casa
que leva seu nome. O caçula, Américo Ribeiro dos Santos, quando viajava
ao interior e visitava orfanatos e instituições, ficava com pena dos pequenos
que diziam nunca ter pisado na areia e nadado no mar. Quando sua mãe faleceu,
ele comprou o imóvel e construiu a casa, que demorou 17 anos para ficar
pronta. Atualmente, a unidade é mantida pela viúva do fundador, Maria
Stella Mendonça Ribeiro dos Santos e os quatro filhos. Também conta com doações.
A casa recebe mensalmente quatro entidades, sendo duas por quinzena. Não
se paga absolutamente nada pelo serviço. Os visitantes são responsáveis
apenas pelo transporte até Santos. As crianças têm quatro refeições diárias,
roupa de cama e banho, produtos de higiene e ainda, quando necessário,
recebem doações de calçados e roupas. A capacidade é de 112 pessoas.
Entre o grupo de visitantes que deixou a casa na manhã de ontem estava
a mãe de uma das crianças que, aos 36 anos, conheceu o mar. “Passa muito
rápido. A gente fica vendo o mar e os jardins a até esquece da vida. Pensei
que ia morrer sem ter ido à praia”, contou. |