Eles
chegam a assustar. Não é raro ver as pessoas apontando e comentando que
um dia vão cair. De uma certa forma, até viraram atração turística, uma
vez que não são encontrados com tanta freqüência, com exceção da Itália,
que tem a Torre de Pisa. Os prédios tortos da orla da praia já são nossos
antigos conhecidos. Ao passearmos pela praia, especialmente se for na
beira do mar, podemos perceber suas acentuadas inclinações. Até temos
o Bar do Torto, na esquina do Canal 4, apelidado por ficar num edifício
na mesma condição.
O problema, que já vem sendo resolvido com o trabalho de recolocar os
prédios em seu devido lugar, é decorrente de fundações pouco profundas
utilizadas nas décadas de 40, 50 e 60. Elas eram apoiadas na areia, a
primeira camada do solo, mais resistente, porém com pouca profundidade
(média de 7 metros), principalmente entre os canais 3 e 6, onde se concentra
a maioria dos prédios tortos. Abaixo da areia, vêm as grandes camadas
de argila marinha (30 a 40 metros) que, com o peso da carga das construções,
provocaram os desvios.
Na orla santista, há cerca de 90 edifícios com esta característica. Há
indícios de que seja o único caso em todo o Brasil. No mundo, pode se
achar algo semelhante no México. O que se encontrava em pior situação,
o Núncio Malzoni, no Boqueirão, com aproximadamente 2,3 graus de desvio,
já está em fase de obras que vão corrigir o desaprumo. Estacas de 60 metros
de profundidade puxarão as colunas do edifício e corrigirao a inclinação
de uma de nossas torres de pisa. |