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Palácio José Bonifácio, sede dos poderes Executivo e Legislativo do Município,
comemora em 2003, seu 64º aniversário.
Em estilo Luiz XVI, conforme os registros históricos, entre eles o livro
Veja Santos (1973), de Olao Rodrigues, o palácio que recebeu o nome do
Patriarca da Independência foi inaugurado em 26 de janeiro de 1939, quando
Santos comemorava seu centenário de elevação de Vila a Cidade. O prédio
tem linhas clássicas, foi construído em cerca de dois anos, tem acabamento
em mármore italiano e jacarandá, além de lustres de cristal da Bohêmia,
e recebeu em sua inauguração a visita do então presidente Getúlio Vargas.
EM BUSCA DE UM PALÁCIO - O projeto arquitetônico do Paço é de 1936, de
autoria de Plínio Botelho do Amaral, que era engenheiro, pois do início
do século até os anos 40 não havia formação específica e os engenheiros
adquiriam preparação em Arquitetura, conforme explica o historiador Arnaldo
Ferreira Marques, da Coordenaria da Área Central da Prefeitura, envolvida,
entre outras tarefas, com o Cores da Cidade.
Mas até o Paço chegar a palácio, passaram-se quase 400 anos. Ferreira
conta que o primeiro edifício que abrigou o poder político e administrativo
da Cidade ficava onde atualmente está localizada a Alfândega, na Praça
da República. Era outro prédio, por volta de 1550, quando o Legislativo
governava, pois a Prefeitura passou a existir a partir de 1907.
Aproximadamente em 1580, o governo local passou para a esquina da Rua
Martim Afonso com a Praça da República, edificação demolida em 1869, ano
em que a nova sede passou a ser a Casa de Câmara e Cadeia. Ferreira esclarece
que era costume colonial construir edificações com o espaço para as autoridades
bem acima dos criminosos, numa alusão simbólica do poder da lei sobre
a desordem.
ARES REPUBLICANOS - Em 1894, com os ares da República, proclamada em 1889,
começa a ser mais estimulada a idéia de construção de um Paço Municipal
mais adequado, amplo, apropriado para os poderes constituidos. Nesse período,
como não haviam recursos para as obras, foi alugado imóvel entre os casarões
do Largo Marques de Montealegre, área em frente à Igreja do Valongo. Ali,
permaneceu a administração do Município até a inauguração do atual Paço.
Os documentos pesquisados por Ferreira apontam que em 1907 foi escolhido
o trecho onde hoje fica a Praça Mauá para a construção do Paço Municipal.
Um decreto (nº 268, de 12 de julho daquele ano) considerou os terrenos
daquela área de utilidade pública para fins de desapropriação, que acabou
tendo início em 1908, terminando somente em 1927, devido à falta de recursos.
Até 32, há poucas informações, explica o historiador, citando a ocorrência
de demolições e a utilização de parte do espaço para o funcionamento do
Horto Municipal. Naquele ano, os terrenos tornam-se praça pública, a pedido
do comércio.
Em 1936, com o projeto do Paço pronto, um empréstimo bancário internacional
é solicitado para completar os recursos disponíveis para a realização
da obra. Foram obtidos dois milhões e duzentos e sessenta mil libras esterlinas.
No total, o empreendimento, orçado em quatro mil contos de réis, acabou
custando 10 mil contos de réis. Em dezembro daquele ano é iniciada a obra.
Em novembro de 38, um decreto, até hoje vigente, limita a altura dos edíficios
ao redor do Palácio a 18 metros. Em 26 de janeiro de 39, é inaugurado
o prédio de seis andares, incluindo o térreo, construído pela Sociedade
Technica e Commercial Anhanguera Ltda., tendo como engenheiro responsável
Antônio Bayma.
SIMBOLISMO - A edificação do Paço é repleta de simbolismo, não formalizado
em documentos, mas percebido quando a observação leva em conta, por exemplo,
o passado filosófico e de importância histórica de personagens como José
Bonifácio. Além das estátuas na entrada (Hermes e Minerva, representando
o comércio e a indústria, assim como a sabedoria, implantadas posteriormente)
e vitrais com identificações técnicas, apontando a localização dada inicialmente
para os setores, nota-se certa relação, que parece ser proposital, de
alguns símbolos relacionados à Maçonaria, instituição de grande influência
sobre Bonifácio e Dom Pedro I, por exemplo. Nomes estes, que tiveram participação
ativa em movimentos como os da Independência, Abolição da Escravatura
e Proclamação da República. |