"Se
essa rua, se essa rua fosse minha, eu mandava, eu mandava ladrilhar. Com
pedrinhas, com pedrinhas de brilhante, para o meu, para o meu amor passar”.
Santos não tem ruas com pedras de brilhante como diz a cantiga de roda,
mas possui um verdadeiro tesouro em suas calçadas. É só olhar bem onde
pisamos. Rua XV de Novembro, Praça Rui Barbosa (Centro), Avenida Ana Costa
(Gonzaga), monumento a Brás Cubas (em frente à Alfândega) e calçada da
praia (defronte à Av. Conselheiro Nébias). O piso desses locais forma
figuras e desenhos, uma atração à parte que merece ser conferida. São
flores, peixes, aviões, balões e muito mais. E o melhor de tudo é que
não se paga nada para ver.
Segundo a historiadora Wilma Therezinha Fernandes de Andrade, as calçadas
dessas praças e ruas são constituídas de dois tipos de mosaicos: o romano
e o português. O primeiro possui pedras pretas, brancas e vermelhas quadradas
com aproximadamente 1cm. Também conhecido como tessela, era usado pelos
romanos no século II antes de Cristo.
O português tem pedras de 5 a 8 cm e é irregular. É muito conhecido porque
ela dá a forma às calçadas com motivo Copacabana, com ondulações intercaladas
em preto e branco, muito comuns nas ruas da Cidade. Este estilo foi utilizado
pela primeiro vez em frente ao Teatro Amazonas, em Manaus, imitando o
encontro das águas do Rio Amazonas e do Rio Negro. As pedras pretas e
brancas lembram as ondas que se forma no cruzamento dos rios. O desenho
foi copiado em todo o Brasil, inclusive em Santos, e ganhou fama com as
calçadas da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
O mosaico português é mais fácil de encontrar na Cidade. O romano é um
tanto quanto especial pelo trabalho que dá para ser colocado. É pedra
por pedra. |