Tudo
começou em 1864 com a iniciativa do italiano Luigi Massoja que introduziu
em Santos os carros urbanos puxados a tração animal (segunda no País, depois
do Rio de Janeiro), com a criação de uma sociedade denominada Serviço Regular
de Gôndolas. Seis anos depois, por meio de lei provincial, foi dada concessão
por 50 anos para que Domingos Moutinho, cidadão abastado da Cidade, explorasse
o serviço de transporte, surgindo a Companhia de Melhoramentos da Cidade
de Santos. |
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Em 1904 o serviço foi absorvido pela The City of Santos Improvements Company, já concessionária dos serviços de luz, força e gás na cidade de Santos. A Cia. City deu novo impulso ao transporte, que até então era desenvolvido por tração animal ou vapor e inaugurou no dia 28 de abril de 1909 o serviço eletrificado de bonde. Na época a empresa contava com 18 veículos abertos para passageiros, três de carga fechados e outros seis de carga abertos, com dois motores de 35 HP cada e bitola de 1,36m. A partir de 1919, com a guerra e os proibitivos preços internacionais para compra de novos veículos, a Cia. City se aparelha para produzir seus próprios carros.
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Em 21 de dezembro de 1951 é formado o Serviço Municipal de Transportes Coletivos – S.M.T.C., que absorve as linhas e todo o acervo de veículos, imóveis e outros da Cia. City e passa a operar o serviço em Santos. Em 1956 muitos dos bondes abertos passam a ser fechados, nas próprias garagens da empresa, visando evitar evasão de receita e pela coloração alaranjada que eram pintados recebem o apelido de camarão. A partir de 1964 começa a discussão pela desativação do serviço.
Em 69 os bondes abertos pequenos são retirados de circulação, permanecendo em uso apenas os abertos ou fechados grandes. Além daqueles argumentos, outros foram utilizados para a derrocada do serviço, como a construção das rodovias BR-101 e dos Imigrantes, que segundo os políticos da época, trariam um volume de veículos elevado para os padrões da Cidade. O bonde atravancava
as ruas e atrapalhava o tráfego de veículos, por isso deveriam sair de
circulação, o que acaba ocorrendo no dia 28 de fevereiro de 1971. Pela
última vez, o veículo prefixo 258, que servia a linha 42, foi recolhido
à garagem. |
Eles se dizem ansiosos e, ao mesmo tempo, emocionados, pela rara oportunidade de estarem junto daquilo que conheceram tão intimamente: o bonde. Selecionados entre 12 antigos motorneiros e condutores de bondes que se inscreveram no Projeto Vovô Sabe Tudo, da Secretaria de Ação Comunitária e Cidadania (Seac), Adhemar Erico do Nascimento, 64 anos; Aderbal de Godoy, 70 anos, e José Soares Fontes, 73 anos, vão atuar como instrutores do bonde turístico. Os três passaram por intenso treinamento, feito pela Secretaria de Esportes e Turismo (Setur), Seac e CET, e vão receber um salário mínimo mensal de ajuda de custo da Prefeitura. Adhemar foi condutor de bonde de 1959 até 64 e trabalhou em todas as linhas, mas gostava mais da 19, que fazia o trajeto do cais. “O percurso era mais longo, portanto fazíamos menos viagens e era menos cansativo”, conta.
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“Andei muito de bonde. Compras, trabalho, passeio, namoro, tudo o que fazíamos, sem carro - e olha que não era muita gente que tinha carro - era de bonde. E eram pontuais, dava pra acertar o relógio pelo horário em que passavam pela rua da gente”, lembrou o comerciante aposentado do ramo de bares e restaurantes, Manuel Lourenço. Para Joaquim Marques Eva, português de nascimento e morador da Cidade desde 1940, o bonde turístico é o fim da saudade. “Esta é uma medida linda. Aprovo e assino a colocação deste bonde aqui no Centro. Eu e minha esposa Wanda, viremos todos os finais de semana, até a saudade passar”, brincou. |