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Morre o santista e crítico de cinema Rubens Ewald Filho

19 de junho de 2019
20h 04

No Dia do Cinema Brasileiro, o País perde uma das figuras mais importantes da crítica cultural, o jornalista santista Rubens Ewald Filho. Ele morreu na tarde desta quarta-feira (19), aos 74 anos. Ewald Filho estava internado desde o dia 23 de maio, no Hospital Samaritano, em São Paulo, após sofrer um desmaio seguido de queda, causada por uma arritmia cardíaca. Ao receber a notícia, o prefeito Paulo Alexandre Barbosa decretou luto oficial de três dias. 

Maior referência da crítica cinematográfica no País, iniciou carreira escrevendo para o jornal A Tribuna, e trabalhou em redações do Jornal da Tarde e O Estado de S.Paulo, sendo ainda colaborador da Revista VEJA nos anos 1990. A partir dos anos 1970, começou a se dedicar ao cinema, primeiro como ator, em filmes como As Gatinhas (1970) e, depois, como roteirista.

 A paixão pelo cinema começou ainda criança, quando criou o hábito de anotar todos os filmes que via em um caderno, incluindo também o diretor, elenco, roteirista e outras informações. Uma das suas primeiras obras para o segmento foi Dicionário de Cineastas, em 1977.

O talento de Ewald Filho também ganhou as telas da TV, atuando como telenovelista em produções como Éramos Seis (1977), Gina (1978) e Drácula, Uma História de Amor (1980). Sua última novela foi Iaiá Garcia, para a TV Cultura, em 1982.

O santista também foi diretor de programação e produção da HBO no Brasil e apresentador de programas na TV Cultura, Record, Band e no canal pago TNT. Tornou-se amplamente conhecido, porém, por comentar as cerimônias do Oscar, desde 1983 – primeiro na Globo, depois no SBT e, nos últimos anos no TNT – e por ter atingido a marca de mais de 35 mil.

O prefeito Paulo Alexandre Barbosa expressou a admiração pelo profissional e destacou a importância de seu trabalho para a valorização do cinema em Santos e no País. "É com muita tristeza que recebemos a notícia da perda do jornalista e mais respeitado crítico de cinema do Brasil, Rubens Ewald Filho, nascido em Santos, e que deixa também um grande legado na área da dramaturgia brasileira. Na Cidade, marcou presença nas atividades relacionadas à sétima arte e foi homenageado em vida dando nome a Sala do Cine Arte Posto 4. Acompanhar os filmes indicados ao Oscar, sem a sua presença e seus comentários, não será a mesma coisa

 

Um filho da terra apaixonado por Santos

 

Mesmo após ganhar o mundo como jornalista e crítico de cinema, Ewald Filho não escondia seu amor pela terra natal. “Realizei meu sonho na cidade de Santos... Viajei o que tinha que viajar. Hoje prefiro viajar Santos, do que ir para Cannes”, comentou em agosto do ano passado, ao ser homenageado pelo Santos Film Fest. 
Um dos responsáveis pela homenagem, o também jornalista e crítico de cinema, André Azenha, relembrou aquele momento. “Fico feliz por termos homenageado ele em vida. Ele foi um pioneiro e abriu as portas para centenas de profissionais que, depois deles, viriam a dedicar seu trabalho a escrever sobre cinema”.

Outro jornalista e crítico de cinema de Santos que ‘bebeu da fonte’ de Ewald Filho é Luiz Gustavo Klein, que declarou: “Estou devastado. Ele era, além de um grande cara - amigo, generoso, bondoso - um profissional ímpar, uma verdadeira enciclopédia de cinema. A minha vida e a minha carreira foram absolutamente influenciadas por ele, pelo trabalho dele. Uma grande perda”.

O secretário de Cultura de Santos Rafael Leal não deixou de lembrar as conexões que ligam o crítico, a Cidade e o cinema. “Não é de hoje que Santos é uma cidade que respira cinema. Isso está no nosso DNA. A paixão de Rubens Ewald Filho pelo cinema é a mesma paixão que o santista sente pela sétima arte. Logicamente, com seu talento genial, ele levou essa paixão para outro patamar, tornando-se a principal referência do assunto no País. Ele é um orgulho de Santos”.

 

Foto: Raimundo Rosa/arquivo

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