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Grafiteiro de escolas em Santos leva sua arte a Portugal

16 de junho de 2019
9h 23

Sem pretensão de ir tão longe, apesar do talento, o grafiteiro Catts, como é chamado o artista regional Carlos Roberto da Silva, 28 anos, fará uma pausa em seu trabalho de colorir as escolas municipais da Cidade, e sairá de cena por 15 dias rumo a Portugal. A viagem internacional para levar a sua arte urbana ao município lusitano Fafe será na próxima terça (18).

Lá, o artista participará do projeto da prefeitura Café Residência Artística e irá grafitar uma das principais praças da cidade, que vem sendo tomada por grafiteiros de várias partes do mundo. O convite partiu do curador do projeto, José Vicente, após conhecer os desenhos de Catts nas redes sociais.

“Me sinto muito feliz porque tinha bastante vontade de conhecer Portugal e nesta viagem farei três grandes painéis, um deles homenageando a cidade Fafe com símbolos locais, entre eles o cisne e a flor amor-perfeito; o segundo será sobre o Brasil; o terceiro voltado para chamar atenção das crianças”, conta ele.

Enquanto assimila a novidade que considera “surreal”, Catts segue com os pés no chão; até lá concluirá o grafite destinado a alegrar as crianças da escola municipal Margareth Buchmann (Embaré). Aliás, o respeito pela sua arte, a determinação e o comprometimento dele podem servir de inspiração para outros artistas.

O talento para desenhar e pintar apareceu quando ainda era criança e o grafite, em 2014, quando as criações em papel não supriam mais suas necessidades artísticas. “Ali virou profissão sem eu saber. Comecei no muro de casa onde criei um painel, depois outros vieram, assim como paredes de Santos e de outras cidades. Atualmente, não consigo nem dar conta do volume que surge. Tem mercado sim para profissionais que não desistem e são responsáveis. A técnica é aprendida. Não podemos desistir. Para conseguirmos nossos sonhos, leva tempo”, afirma o jovem.

 

ADMIRAÇÃO

Nas escolas da Prefeitura, o trabalho é voluntário e está interligado com o projeto social Luann Vive, coordenado por Paulo Oshiro, cujo objetivo é estimular a aproximação dos pais com as escolas por meio de mutirões e trabalho conjunto para fazer brotar o sentimento de pertencimento. 

“Iniciei os mutirões no início de 2017, com vários tipos de intervenções, mas era a pintura que mais conseguia a interação dos pais dos alunos”, lembra Oshiro. “Com a pintura, a escola ficava muito mais bonita e aconchegante, mas ainda faltava algo e aí surgiu o Catts com o spray mágico”.

São mais de 100 artes espalhadas por aí entre trabalhos pagos e voluntários, sendo a mais inusitada, em sua opinião, uma estendida com o desenho de um polvo e uma planta carnívora criado em 12 portas de banheiro dentro de uma escola de Itanhaém. Entre os destaques também estão os altos painéis criados no Jardim Botânico Chico Mendes, produzidos em cerca de três dias cada um; a casa de boneca da Escola Municipal Leonor Mendes de Barros; os painéis infantis - sempre seus preferidos por serem totalmente dedicados às crianças.

Como dica para futuros grafiteiros, ele fala da importância da responsabilidade com o prazo de entrega do trabalho, qualidade da arte e preocupação em agradar ao público. “A arte é para as pessoas. É preciso agregar valor ao espaço e não poluir. Tem que agradar desde a criança ao idoso; essa é a graça e o caminho”.

 

Fotos: Rogério Bomfim

 

 

Galeria de Imagens

Grande painel com elementos da natureza, animais e aves. #Pracegover
Painel ilustrativo no Jardim Botânico Chico Mendes
Pintura de painel em parede de escola. O desenho principal é de um barco com um pirata. #Pracegover
Painel em parede de escola municipal
Arte em muro externo de escola.Há desenhos de animais, carrinhos, árvores e nuvens tudo em traços infantis e coloridos. #Pracegover
Arte em muro externo de escola
Arte para a campanha Receptação é Crime, com um personagem segurando um celular. #Pracegover
Arte para a campanha Receptação é Crime