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Defesa Civil orienta moradores dos morros para dias de chuva

30 de dezembro de 2018
10h 00
Homens trabalham em obra de contenção em encosta. Trecho em obras está sinalizado com cerca de plástico junto à calçada à esquerda da imagem. #Pracegover

As pancadas de chuva à tarde, típicas do verão, fazem parte da previsão para os próximos dias na Cidade, segundo a Defesa Civil. O alerta para os cuidados preventivos e sinais de perigo vai, principalmente, para moradores das áreas de risco alto (3.096 moradias) e muito alto (1.104) dos 17 morros - alvo principal do Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC) em Santos. O plano segue até 30 de abril de 2019, período de grande incidência de chuvas intensas e mais frequentes.

A qualquer sinal de mudança no cenário da moradia ou do entorno como surgimento de água barrenta, trinca em parede ou no piso, árvore e poste inclinados, o munícipe deve ligar imediatamente para 199, número de emergência da Defesa Civil que funciona 24 horas.

Mas os cuidados preventivos também merecem destaque e começam com a não ocupação de áreas impróprias, preservando a vegetação da encosta, que auxilia na contenção dos morros e da água. “Antes de pensar em ocupar área, procure a Defesa Civil para consultas pelo telefone 3208-1000”, orienta o geólogo Victor Valleele, da Defesa Civil, destacando que as ocorrências de deslizamento causadas ultimamente têm origem na ação humana e não em acidentes naturais.

“Querem aumentar a área da casa, por exemplo, cortando barranco para fazer escavação e retirando parte da vegetação. Isso desestabiliza a encosta. Outra situação comum é construir ou ampliar a casa mais próxima da encosta. Desta forma, se cai algum material, e a chance disso acontecer aumenta, a casa será afetada”. Os moradores devem evitar cortar os taludes, jogar entulho ou água da chuva direto na encosta. Conforme orienta o órgão, a distância mínima na área dos morros, entre uma casa e encosta é de 20 metros, para deixar uma margem de segurança. O espaçamento pode até diminuir, desde que haja um laudo assinado por um geólogo ou engenheiro.

 

MORADORA ANTIGA

 

A dona de casa Aliete Lacerda da Silva, mora com a família há 40 anos na encosta da Nova Cintra, ponto de alto risco, e sabe o que é conviver com o medo. “Procuro fazer minha parte e retiro os bambus caídos do mato para não fazerem peso no restante da vegetação; acho que assim ajudo a evitar deslizamento”, explica a moradora.

Considerada pelos agentes da Defesa Civil uma parceira do órgão e exemplo de cidadania para a vizinhança, a mulher conta que, além de não descartar lixo em locais errados, solicita lixeiras novas para a Prefeitura quando as antigas se deterioram e mantém contato regular com os agentes da Defesa Civil.

 

VISTORIAS MAIS FREQUENTES

 

O PPDC é avaliado como um plano de convivência com o risco e prevê vistorias mais frequentes. Para evitar acidentes, as áreas de risco são mapeadas e é preciso acompanhar a previsão da chuva - o principal causador de deslizamento. Com as informações sobre o local de risco, acúmulo de chuvas e previsão, a equipe consegue ter uma ideia se o deslizamento está para acontecer ou não.

Quando o acumulado de chuva ultrapassa os 80 mm em três dias, os morros são colocados em estado de atenção pela Defesa Civil, uma vez que o solo perde resistência devido à umidade. E nos casos de sinais de alerta dados pelos munícipes, uma equipe vai ao local procurar evidências de que um deslizamento pode ocorrer. Se constatado, os moradores são removidos preventivamente.

 

Vegetação é uma aliada na segurança

Um dos aspectos mais importantes para evitar o deslizamento é a consciência sobre a conservação do ambiente e importância da vegetação dos morros. São várias as funções, começando pela copa das árvores que ‘seguram’ parte da chuva. “Parte da água fica presa nas folhas e nos galhos. Às vezes, a água nem consegue chegar à superfície pois acaba evaporando para a atmosfera”, explica o geólogo Victor Valle. 

E ele continua, lembrando de algo que a grande maioria nem se dá conta: as folhas mortas no chão formam um espécie de cama sobre o solo, que também retém a água que demora mais para infiltrar e, mais uma vez, às vezes, isso nem chega a ocorrer porque a água evapora. “As raízes ajudam a segurar o solo e os furos feitos por elas também absorvem a água. É um sistema complexo e a vegetação tem vários jeitos para colaborar”.

 

 

Foto

 

Galeria de Imagens

Equipe da Defesa Civil acompanha obra de contenção em morro. #Pracegover

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